Setembro 1st, 2010 | Notícias Missionárias |
Vila de Abacaxis, 26 de agosto de 2010
Queridos amigos e irmãos em Cristo:
É muito bom poder entrar em contato com vocês novamente, sinto que essa carta poderia ter chegado antes, mas tivemos dias muito agitados que não permitiram eu parar para sentar e escrever.
Agradecemos pelas orações pois todas as programações que tivemos nos últimos dois meses foram muito bem sucedidas e trouxeram muitos benefícios para o Reino de Deus. No aniversario da Igreja na Vila de Abacaxis em junho cerca de 350 pessoas participaram e assistiram o batismo de 12 novos crentes. Semana passada houve o batismo e aniversario da Igreja em Terra Vermelha e 8 pessoas foram batizadas, cerca de 300 pessoas participaram e em ambas as comunidades o dia foi de muita comunhão e um tempo de muitas alegrias, com pregação de Palavra, louvores e testemunhos edificantes. Orem pela vida dessas pessoas e pelo testemunho em suas casas. Uma das pessoas que se batizaram pertence a uma comunidade que até hoje não abriu as portas para o Evangelho, e ela é a primeira convertida da comunidade. Outra jovem também tem uma historia bonita, pois o seu pai que fez várias denuncias contra nós para a FUNAI e nunca deixou sua filha participar dos trabalhos, agora que ela cresceu, ele disse que ela já poderia fazer sua opção de religião e deixou ela ser batizada, temos certeza da mao de Deus ter agido na vida dela!
Em julho aconteceu mais um acampamento de jovens, cerca de 130 jovens participaram, foi muito bom, houve algumas decisões e muitas reconciliações. Além de ser um tempo de muitos estudos bíblicos, gincana bíblica, foi também um tempo de recreação e lazer gostoso , onde os jovens puderam ver que podem se divertir com brincadeiras saudáveis.
Depois do tempo do acampamento tivemos alunos do seminário IMPV que fizeram uma semana de estágio conosco e no início de agosto mais uma semana de seminário flutuante. Em todas essas atividades, Deus supriu as necessidades e abençoou grandemente.
Essa semana tivemos a visita de minha mãe (Bethy) e meus primos de Atibaia, ao todo 7 visitantes. Foi um tempo muito gostoso de comunhão, para nós um grande ânimo e alegria poder estar com pessoas que amam a obra missionária e se interessam por ela! Quem dera pudéssemos sempre ter pessoas conosco nos visitando e conhecendo o trabalho de perto…..
Agora nossa próxima programação será o acampamento de crianças no mês de outubro, já estamos nos preparando para esse evento e queremos abrir para 100 crianças. Para chegar a esse número dependemos dos recursos financeiros para alimentação e transporte dessas crianças. Calculamos aproximadamente que vamos gastar 10 reais por criança, então caso queira investir e enviar crianças para o acampamento, sinta-se a vontade para colaborar conosco. E desde já ore por essa programação.
Na última carta pedi ajuda para comprar flautas para os jovens e crianças que estão aprendendo e graças a Deus e a muitos que ofertaram, consegui mais do que o valor que precisava, então pretendo investir o restante do dinheiro em instrumentos para bandinha. Muito obrigado a cada um que participou desse projeto.
No demais estamos bem de saúde, ainda aguardando a adoção da Isabela e fazendo nosso ministério com diligência e dando o nosso melhor para o Senhor. Continuem orando por nós, pelos desafios que nos cercam e para que cada vez possamos fazer mais para Deus.
Um grande abraço a todos. Obrigado a todos que tem investido em nosso ministério e tem orado por nós. Deus derrame ricas bênçãos sobre cada um de vocês!
Família Nascimento
Setembro 1st, 2010 | Notícias Missionárias |
Rio de Janeiro, agosto de 2010
Prezados irmãos, graça e paz!
Quando penso nas bênçãos recebidas, retiro todas as queixas contra a minha vida. Se durante todos estes anos de ministério algumas coisas me foram tiradas, muito mais foi-me deixado. Se a mim foram negadas algumas coisas, muito mais me foi concedido. Agradeço a Deus por ter me dado tanto, apesar de mim mesmo.
Lembro-me daquela manhã de janeiro de 1989, quando chegamos pela primeira vez na tribo yanomami. O povo, na sua maioria nu, alguns pintados de preto e usando enormes tabacos no lábio inferior, já nos aguardava na beira da pista de pouso. Emília, nossa filha, com apenas dois meses foi apalpada pelas mulheres que espantadas diziam o quanto ela era forte e saudável.
Embora morássemos numa casa de chão batido, teto de palha, sem água encanada e energia elétrica, Emília vivia contente e satisfeita com a vida que tinha. Desde cedo aprendeu a conviver com o jeito singular dos yanomamis; aprendeu a sentar como eles, a se pintar como eles, a comer a comida deles, aprendeu olhá-los não como criaturas diferentes, mas como outro igual e que pode ser imitado pois também sua cultura e língua possui expressões de rara beleza e bondade.
Lembro-me de suas primeiras palavras em yanomami: “Hwapa kami ya ohi”, que quer dizer “papai, estou com fome”. Posso ainda vê-la sentada com um grupo de crianças, tendo a mão uma revista Geográfica Universal, toda pintada de urucum, como uma menina yanomami, tentando explicar as crianças como funcionava o complexo jeito de viver do homem branco.
Me recordo quando contraiu simultaneamente malária e infecção urinária. Naqueles dias, estando só a nossa família em área yanomami, Emília teve reação alérgica ao medicamento e ficou entre a vida e a morte. Me recordo de minha esposa orando sobre o corpo abatido e magro de Emília, dizendo: “Deus, o Senhor nos deu a Emília. Entregamo-la em tuas mãos; ela lhe pertence!”.
Triste, corri para a casa comunitária a fim de ser consolado por alguns irmãos yanomamis. Todos estavam na suas redes já dormindo; pequenas fogueiras feitas ao lado da rede aqueciam a todos. Acordei o Leonardo, e expressei-lhe minha profunda tristeza. Ele, levando-me para o pátio interno da casa comunitária, sentando-se chão, disse: “A Emília pertence ao Senhor. Se ela morrer não chore muito tempo, você vai encontrá-la na casa do Grande Espírito”.
Lembro-me da tristeza ao me separar da Emília e de Priscila para ir mata a dentro a fim de construir uma nova pista de pouso. Se a ausência de ambas era difícil, o retorno para casa era sempre alegre. Emília vinha sempre me encontrar no trilho e correndo pulava nos meus braços.
Bem, muitas coisas aconteceram durante os anos de formação da Emília. Passamos por dificuldades – e quem não as tem – mas fomos muito felizes no tempo de tribo.
Por que escrevo tudo isso? Porque ontem foi o dia dos pais e senti saudades de minha filha. Ao pensar na Emília, pensei também naqueles que, como você, tem estado ao nosso lado orando ou mesmo contribuindo. Não ache que o que fez por nós foi o mínimo! Entenda que ao orar por nós você fez o máximo. Suas orações, de fato, tem-nos sustentado até aqui!
Dando continuidade ao nosso desejo de alcançarmos o Deserto do Atacama, Chile, chegamos ao Rio de Janeiro para mais um etapa visando nossa filiação à Junta Missionária. Embora próximos de S. Paulo a cultura local difere em muito. Freqüentemente somos encorajados a não ultrapassarmos certos limites – os morros estão por todo canto – com o risco de sermos interceptados por um traficante ou mesmo roubados.
Onde estamos, na Tijuca, um bairro de classe média alta, tudo é muito caro. Um simples corte de cabelo vai de vinte a trinta e cinco reais. Com esse preço, digo a Priscila, terei de subir o morro do “Formiga” ou “Borel” a fim de encontrar um preço melhor.
Na semana fomos submetidos a uma avaliação psicológica. Começamos às oito horas e terminamos às treze horas. Foi um tanto cansativo, pois não havia tempo hábil para realizar a contento todos os testes propostos. No final, a tendência de todos é fazer tudo muito rápido, pois o nível de atenção e absorção fica muito reduzido.
Freqüentamos uma Igreja Batista próximo de nossa casa. A igreja está sem pastor a mais de dois anos, é muito carinhosa e bastante tradicional. Tem aproximadamente trezentos membros e já participamos de uma reunião celular.
Moramos numa grande casa onde residem seis famílias. O espaço é pequeno, mas o suficiente para acomodar a todos. Alguns missionários estão por aqui só de passagem, enquanto outros seis casais se preparam para o treinamento visando o campo no exterior.
Temos convivido com missionários que atuam na Itália, Senegal, Portugal, Cazaquistão e outros. Ouvir suas experiências e sua forma de encarar o ministério tem nos enriquecido muito. Por termos atuado sempre com Organizações não-denominacionais, percebemos que temos uma forma bem diferente de encarar o ministério. Temos muito a aprender com estes irmãos!
As aulas acontecem num Seminário próximo daqui. Diariamente temos que nos deslocar até o Seminário e as aulas ocorrem pela manhã ou mesmo a tarde. Alguns professores são convidados e isso exige certa flexibilidade nos horários.
No mais estamos bem, confiantes no Senhor em relação ao futuro e esperando Nele a fim de termos Sua provisão para o dia.
Prezados irmãos, continuemos a cuidar de nossas vidas e nunca nos esqueçamos que juntos somos participantes de um projeto glorioso que está em andamento. Em Seu maravilhoso plano, o Pai está redimindo, por meio do evangelho, todas as coisas, resgatando-as de volta para Ele mesmo, e você e eu somos participantes disso tudo através da pregação do evangelho.
Fraternalmente
Pr. Claudinei e Priscila
Agosto 8th, 2010 | Notícias Missionárias |
Pr. Claudiney Godoi
“…. Os que com lágrimas semeiam, com júbilo ceifarão. Quem sai andando e chorando enquanto semeia, voltará cantando trazendo seus feixes.” Sal 126
Este cântico intitulado de “cântico da subida”, ou “cântico dos degraus”, era provavelmente um hino para ser cantado durante a subida da nação de Israel para o Monte Sião para participar de umas três principais festas judaicas. O hino é uma oração coletiva pela suplica (v.4), fundamentada pelo agradecimento pela libertação do exílio. Lembra a intervenção de Deus no passado em favor de seu povo o qual ora para que a ajuda do passado sirva de motivação para o presente.
Depois de setenta anos de exílio um grupo de 42.360 (Esd 2:64) retorna para a Palestina a fim de reconstruir a nação. A maioria havia adquirido estabilidade na dispersão e não estava disposta a deixar o conforto da nova terra e aventurar-se a reconstruir um país destruído. Economicamente, socialmente, politicamente e ainda religiosamente tudo parecia conspirar contra este novo projeto de reconstrução iniciado por YHWH. No país, os seus irmãos que ainda permaneciam na terra estavam sendo submetidos à escravidão por pagãos ou mesmo pelos judeus que ficaram (Neem 5:3-5); muitos estavam vivendo na miséria e desprezo; os muros de Jerusalém estavam derrubados, as suas portas queimadas a fogo (Nee 1:3).
O salmista, usando uma símile, ora pela restauração dos estão vivendo em estado de miséria (v.4), e roga para que uma enchente de exilados volte à terra de origem, assim como as torrentes sazonais que periodicamente enchem os leitos dos rios normalmente secos no deserto do Neguebe.
Sabe ele que reconstruir o país não seria tarefa fácil; o esforço dos exilados para restabelecer a nação se daria em meio a grandes dificuldades. Haveria choro por causa do sofrimento auto-imposto, lágrimas cairiam em meio às grandes dificuldades ((v. 5,6), mas tudo isso seria superado pela reversão da situação. Usando a linguagem da semeadura e do crescimento sugere uma mudança, lágrimas seriam substituídas por cânticos de júbilo; o sofrimento e choro que viria com a reconstrução do país teria seus resultados.
Lidório, nos fala sobre a relação entre caminhada e choro. Diz ele que para cumprirmos o ministério que o Senhor nos confiou é necessário andar e chorar. Tantas idas e vindas, caminhos incertos, a impressão que há sempre mais um passo a dar, alguém a ajudar, uma pessoa a evangelizar. E as lágrimas que descem abundantes com a saudade que bate, a tristeza que chega por causa de um enfermidade e ausência de recursos, o abraço e a palavra de agradecimento que nunca chega, o fruto que não é visível, a palavra de desanimo vindo daquele que diz que não vai acontecer porque a terra é Arida, que diz que você é incapaz, o povo não muda, o problema é grande demais, que o sol é forte e o vento está chegando.
Por muito tempo tenho mantido contato com mantenedores e amigos através de cartas, mas em todas elas procuro sempre contar-lhes como vai o ministério, os desafios e vitórias, mas desta vez quero fazer algo diferente, quero compartilhar um pouco sobre mim, como me senti muitas vezes. Talvez você fique surpreso com o que vai ler, mas não me importo se falar sobre mim mostra o lado mais vulnerável de um “trabalhador de campo”. Nunca concordei com o pensamento ou impressão de que somos mais fortes que outros ou mais espirituais, isso não e verdade! A intenção não é preocupar, mas motivá-lo a orar por nós “obreiros” de uma forma mais pessoal e entender-nos melhor!
Crise. Já tive muitas vezes. Achava que nunca aprenderia a língua e mesmo estudando bastante parecia não haver progresso. Chorei e tive acessos de raiva contra aqueles que antes dizia amar. Por três vezes fui ameaçado de morte sem saber bem o porquê. Eles pareciam não me compreender e eu parecia não entendê-los.
Depois de alguns anos aborrecia-me e irritava-me o povo mesmo estando ali por AMOR.
Tive saudades de minha mãe, dos irmãos consangüíneos, dos irmãos em Cristo. Muitas vezes me senti abandonado, só e desamparado por parte daqueles que prometeram estar comigo em todo tempo.
Tive saudades de “casa”. Do cheiro, do som, da comida, da roupa, da língua, do jeito de tudo!
Uma vez quase perdemos nossa filha por causa de uma complicação malárica, mas o mais espantoso de tudo é que se você me perguntar se senti vontade de voltar, vou dizer que sim, mas permaneci.
Muitas vezes fiquei doente sem saber o porquê, sem poder fazer nada, a não ser esperar por uma reação do próprio organismo para combater o mal sem necessariamente receber ajudar externa. Apesar de doente e mal conseguir ficar em pé, fui tratado sem misericórdia por aqueles que diziam ser meus amigos. Diziam: “Você está aqui para nos dar medicamentos, saia da sua rede!”
Muitas vezes senti o desejo de partir, mas me contive, pois sabia que no amanhã estaria melhor que o dia anterior e que aos poucos me recuperaria até ficar completamente bem.
Senti falta de um abraço, de um ombro amigo para chorar, de aconchego, de renovar as emoções.
Eu só queria sobreviver! Não me restava escolha a não ser lutar contra minha própria fraqueza e dessa luta tirar a força que precisava para continuar.
Queria chorar mesmo sem saber o porquê; queria voltar mesmo sabendo que é ALI era o meu lugar. Sentia falta de tantas coisas mesmo sabendo que comparado aos yanomamis eu tinha tanta coisa.
Muitas vezes me senti indefeso mesmo estando pronto para lutar; sentia-me carente, mesmo sabendo que era amado por minha esposa e filha.
Não queria ir para a escola alfabetizá-los na sua própria língua mesmo sabendo que necessitavam ler as sagradas escrituras a fim de conhecessem o caminho da salvação.
Sentia respondendo “não, mas já fazendo naturalmente o que o que corresponde ao “sim”.
Tantas vezes me senti voluntário quando deveria me ser sentir comissionado. Paguei um preço mesmo não estando disposto a pagar.
Senti vontade de desistir, mas no fundo tinha certeza que a força para continuar era maior que a de voltar atrás. Talvez eu o decepcionei, mas esta é um pouco da minha história. Fui alguém ferido por aqueles a quem propus alcançar, mas sabia que também havia entrado num mundo ferido pelo pecado e que estava ali para oferecer ajuda.
Sei que para lançar sementes é preciso chorar, pois quase sempre há um preço a pagar. Um paga com abnegação, outro com suor, ainda outro dedica seu tempo no único dia de folga. Paguemos o preço e sirvamos a Jesus.
Abrace o que também anda e chore com quem está ao seu lado. Ele talvez se sinta só e pense que é o único que chora enquanto caminha.
Andar e chorar é cumprir a missão. É um grande privilégio. Se um dia você pensou em desistir da sua caminhada e o coração, abatido, não encontra mais prazer em semear, olhe para alto e faça um compromisso com seu Deus: mesmo chorando, andarei um pouco mais! Sim, haverá um dia de voltar…mas ainda não chegou. Na força do Senhor continue a caminhar…e chorar…e semear…e sorrir, porque estamos aqui na lavoura do Pai. Não há lugar melhor!
Que o Senhor os abençoe!
Junho 16th, 2010 | Missões Letas, Notícias Missionárias, Próximos Eventos |
Prezados irmãos,
segue o boletim do mes e junho. Agradeço a ajuda do Pr. Benjamim Keidann que o preparou…
Neste boletim estão informaçoes bastante úteis sobre o Congresso Leto, que acontecerá em Curitiba. Não deixe de fazer sua inscriçao com antecedência.
Clique para baixar e visualizar o boletim.
Boletim Leto junho – doc
BOLETIM LETO JUNHO 10 – pdf
Abril 27th, 2010 | Notícias Missionárias, principal |
VOCÊ PODE AJUDAR NOSSOS MISSIONÁRIOS:

- PAMIL – Projeto de Ajuda às Missões Letas – Você pode contribuir mensalmente com o sustento dos missionários – Solicite informações, confirme seu compromisso pessoal e receba o boleto bancário, diretamente com o Pr. Verner Musenek – vernergilberto@yahoo.com.br
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